domingo, 25 de março de 2007

Homenagem a empreendedores anônimos !

São menores que micro-empreendedores, são nano-empreendedores, trabalhadores informais. Casos reais, que vi e vejo com os meus próprios olhos, todos os dias, nas ruas da Grande São Paulo. A primeira homenageada é Dona Maria, uma senhora, de 70 anos, que cata papelão na região da Santa Ifigênia, idosa mas operosa, saudável, destoa em meio a dezenas de adultos bem mais jovens, que possuem a metade ou 1/3 de sua idade, mas que se entregam a rotinas de auto-comiseração e se encharcam de bebidas alcóolicas e afundam em drogas, uma batalhadora, uma vencedora, num ambiente hostil que é a cidade de São Paulo.

Outro caso é o do catador anônimo de latas da madrugada, enquanto muitos estão desmaiados nas calçadas, ele aproveita o frescor e a tranqüilidade da escuridão para trabalhar, catando latas de alumínio, que rendem R$ 0,05 ( cinco centavos ) cada, se vier a luz do dia aumenta a concorrência, e o desconforto físico do calor, que nestes últimos meses está de lascar nas ruas de São Paulo ( deve ser o tal do aquecimento global )

E é justo também mencionar os vendedores de frutas, que, cedinho pela manhã vão ao Mercado Municipal, se abastecem, não sei se com R$ 20, R$ 30, R$ 50 de frutas, e saem vendendo, bananas, maçãs, peras, mangas, abacaxi, melancia, côco, etc - não é fácil, é pesado, é sacrificado, arriscado, mas lutam honestamente pela vida, faça sol ou faça chuva - e sempre com temor do "rapa" da prefeitura - e fica aqui um protesto, é um absurdo que os governos municipais, estaduais e federal não emitam licenças de trabalho para todos aqueles que querem trabalhar honestamente.

Sou à favor de que se emitam licenças de vendedor ambulante para quem o solicite, e sem estas regras sempre burladas e burláveis - e é claro que não defendo a venda de produtos pirata e/ou ilegais, nocivos - por milhares de razões o país, há décadas, não consegue gerar empregos decentes para todos, assim, nada mais justo do que criar um ambiente favorável ao empreendedorismo.

Fabulosos também são os vendedores de balas nos semáforos, escolhem faróis aonde há um tempo de espera que permite venderem balas aos motoristas, os mais sábios trabalham em duplas, um colocando e outro recolhendo, recebendo, e há os que dão amostras grátis, e sabem sorrir, conversar, dar um bom dia sorrindo de coração, as mensagens são variadas, as formas de impressão ou mesmo escrita manuscrita variam, é a criatividade, a dimensão humana de uma atividade legítima de geração de trabalho e renda.

O que é detestável mesmo é a grande multidão de pidonchos, pedintes, mendigos, esmoleiros, que adoram entoar a ladainha " é melhor pedir do que roubar " - Uma bobagem que é repetida e tida como verdade, e não passa de uma das frases, filosofias mais deprimentes das ruas - precisam ser repreendidos, no nome do Senhor Jesus, de modo que sejam libertos do espírito da sanguessuga, me dá, me dá, me dá, bem descrito no livro de Provérbios, ou seja, um problema antigo, milenar, dos primórdios da civilização humana.

Para não ficar longo, uma homenagem também aos engraxates, um trabalho humilde, porém muito digno, seria legal se todos os prédios comerciais permitissem que eles se instalassem em suas entradas, pudessem oferecer seus serviços não expostos nas ruas.

Que Deus abençoe esta imensa multidão de trabalhadores anônimos, empreendedores, e que interceda pelas autoridades e empresários deste país, para criar ambientes de inclusão, cooperação, diálogo.

Makoto Shimizu
makotos@gmail.com